Acredito que, se não todos, a maioria dos erros gramaticais têm fundamentação lógica. Não consigo pensar em exmeplos, mas me veio na cabeça o famoso "pobrema". Não é um erro qualquer, e sim o resultado de profundas reflexões acerca da sociedade capitalista. Junta-se ao radical pobr o sufixo -ema e tchanã, logo temos uma crítica da condição socioeconômica no Brasil. Problema é coisa de pobre, e pobre fala "pobrema".
Stella B.T.
Quando acontece alguma coisa ruim, ficam todos cheios de poesia.
Não digo poesia de poeta mesmo, de artista. Digo poesia de gente que se mete a poeta e escreve os cúmulos da breguice e do uso das vírgulas, repete exclamações e fala de girassóis, arco-íris, amorzinho e pássaros. Parece que me arranca um pedacinho toda vez que me aparece um pseudo-poeta na frente. ( Que fique claro que eu não me considero poeta, já estou longe de admitir que não sou nada modesta).
Quando alguém morre, por exemplo, vira tudo poesia. Homenagem daqui, exclamações dalí, fotomontagens acolá e o coitado do morto, se visse tudo isso, era capaz de ter um ataque de tanto rir. Todos se tornam pessoas boas depois da morte, é fato. Você pode ser um completo idiota e não ter amigos, mas quando morrer vai ser o cara mais popular e incrível deste mundo- ou, quem sabe , do outro.
Mortes inesperadas garantem mais pontos, principalmente aquelas que envolvem homicídio, acidentes, doenças terminais e a mídia. A Isabela morreu e , de repente, todo mundo era primo do afilhado do avô da tia do pai dela e já tinha visto a pobre menina numa festa de família, coitada, era tão lindinha e inteligente, parecia um anjo e era a graça da nossa família. Oras, duvido que antes de tudo acontecer muita gente não tenha se enchido dela, que inferno, criança não serve pra nada mesmo.
Todos ficam tão fragilizados pela perda de um ente querido que acabam deixando passar a formosura poética de todas as belas frases de amiração póstuma.
"Fulano era tão bom... sabia mesmo viver a vida!" , "Tá certo... Deus o queria por perto pra espalhar toda aquela alegria ", " Ficarão na memória todos os momentos inesquecíveis que passamos com essa pessoa incomparável" . Ah, que bobagem. Quando o cara estava vivo ninguém dizia isso pra ele, e se bobear o coitado nem sabia que tinha tantos "amigos" .
O porquê de tudo isso é o famoso magnetismo do ego. Queremos sempre alimentá-lo com uma ilusória sensação de superioridade, e a repercussão de uma morte trágica sempre dá um certo status ao mortinho em questão. Daí, ao se apresentar como de alguma forma relacionado com o morto, pode-se arrancar um pedacinho dessa carcaça e ficar satisfeito por tempo suficiente até que mais um passe desta para melhor, sempre rezando para não ser o próximo- será que o ego funciona em outras dimensões espirituais?
Não digo poesia de poeta mesmo, de artista. Digo poesia de gente que se mete a poeta e escreve os cúmulos da breguice e do uso das vírgulas, repete exclamações e fala de girassóis, arco-íris, amorzinho e pássaros. Parece que me arranca um pedacinho toda vez que me aparece um pseudo-poeta na frente. ( Que fique claro que eu não me considero poeta, já estou longe de admitir que não sou nada modesta).
Quando alguém morre, por exemplo, vira tudo poesia. Homenagem daqui, exclamações dalí, fotomontagens acolá e o coitado do morto, se visse tudo isso, era capaz de ter um ataque de tanto rir. Todos se tornam pessoas boas depois da morte, é fato. Você pode ser um completo idiota e não ter amigos, mas quando morrer vai ser o cara mais popular e incrível deste mundo- ou, quem sabe , do outro.
Mortes inesperadas garantem mais pontos, principalmente aquelas que envolvem homicídio, acidentes, doenças terminais e a mídia. A Isabela morreu e , de repente, todo mundo era primo do afilhado do avô da tia do pai dela e já tinha visto a pobre menina numa festa de família, coitada, era tão lindinha e inteligente, parecia um anjo e era a graça da nossa família. Oras, duvido que antes de tudo acontecer muita gente não tenha se enchido dela, que inferno, criança não serve pra nada mesmo.
Todos ficam tão fragilizados pela perda de um ente querido que acabam deixando passar a formosura poética de todas as belas frases de amiração póstuma.
"Fulano era tão bom... sabia mesmo viver a vida!" , "Tá certo... Deus o queria por perto pra espalhar toda aquela alegria ", " Ficarão na memória todos os momentos inesquecíveis que passamos com essa pessoa incomparável" . Ah, que bobagem. Quando o cara estava vivo ninguém dizia isso pra ele, e se bobear o coitado nem sabia que tinha tantos "amigos" .
O porquê de tudo isso é o famoso magnetismo do ego. Queremos sempre alimentá-lo com uma ilusória sensação de superioridade, e a repercussão de uma morte trágica sempre dá um certo status ao mortinho em questão. Daí, ao se apresentar como de alguma forma relacionado com o morto, pode-se arrancar um pedacinho dessa carcaça e ficar satisfeito por tempo suficiente até que mais um passe desta para melhor, sempre rezando para não ser o próximo- será que o ego funciona em outras dimensões espirituais?
Stella B.T.
Stella B.T.
Stella B.T.
Me lembrei hoje do dia em que descobri que era comunista. Tinha uns sete anos , e durante uma viagem perguntei à minha mãe por que todas as casas do mundo não pertenciam ao governo, pra que todo mundo tivesse onde morar. Ela disse que isso se chamava comunismo, e eu não perguntei mais nada, só fiquei olhando pela janela as criancinhas pedintes no farol.





