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segunda-feira, 11 de junho de 2012

‎Segunda-feira, ‎5‎ de ‎setembro‎ de ‎2011, ‏‎21:50:53

"Lembro de você todos os dias. Uma música, um olhar, uma sombra.
Não gosto de lembrar de você todos os dias. Isso porque sei que não há nada que possa ser feito. Sinto saudades, muitas saudades. Você não pode imaginar o quanto.
Em minha cabeça você é assim: um recorte de todos os dias bons, de todas as risadas, de todas as vezes que te vi dormindo e pensei nas três palavras que tantas vezes te disse. Até mesmo os piores momentos parecem bons agora. O amor fez tudo ficar sépia.

Sim, acho que ainda te amo. Mas só de pensar nisso tudo me escapa. Sinto o frio que ficou em mim desde tudo. Aí começo a ouvir os gritos. Relembrar a frustração. Sentir  as lágrimas. A dor de dentro e a dor de fora. E então quero me deitar do seu lado e te sentir me envolvendo, e me isolando de tudo isso, de tudo o que não quero sentir nunca mais. Por mais paradoxal que  possa parecer.
Parece que acabei gostando disso, te deixei me machucar tantas vezes porque gostava de me sentir protegida depois. Acho que as pessoas podem aprender a gostar até das piores coisas.

Gostaria de te ter de novo, sem pensar nas conseqüências. Sem lembrar de tudo o que aconteceu ou pode acontecer. Queria poder estar com você de novo. Encostar de leve  em você. Queria poder te admirar.Te amar de um jeito saudável. Te amar porque acordei e pensei “Eu o amo”, e não porque no dia anterior disse que te amava.  Será que algum dia alguém vai entender isso? Será que alguém no mundo sente isso? Pedi tantas vezes, com todas as minhas forças, que esse alguém fosse você. Mas confesso que nunca tive certeza disso.

O que mais dói é saber que nunca vamos ter isso de volta. Hoje, se nos dispuséssemos a fazer tudo de novo, se tentássemos nos resgatar, mesmo se fizéssemos o maior esforço de nossas vidas, esse esforço de nada adiantaria. Somos como sobreviventes de um naufrágio, nos agarrando em qualquer escombro que haja por perto.  Sentir o amor indo embora é como se afogar. Você vê as coisas acontecendo à sua volta como se estivessem em um filme. Inutilmente tenta se salvar, se apóia nos destroços, e mesmo assim afunda. Procura freneticamente em todas as partes um pouco de ar para respirar. E afunda. Os sons ficam cada vez mais distantes, você não sabe distinguir a realidade daquilo que sua imaginação inventou. Afunda. E tudo fica cada vez mais escuro, mais frio. Você daria tudo pra poder voltar à tona, mas agora já nem sabe mais. Agora você já afundou. Já não existe mais barco, mais ar, você, nada. Tudo o que você tem é o escuro, e fica realmente difícil saber se não é ele que tem você."

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ao estalar dos dedos

E de repente invadiu-lhe a sensação de ser muito mais do que tudo aquilo. De estar em constante expansão, e de que não precisava da relatividade, do exercício nº 4 ou das rubricas de ninguém para poder se expandir. Simplesmente funcionava assim, e pronto.

Cultivou essa ideia por algum tempo. Desejava colocá-la dentro de seu marsúpio, e protegê-la como a mãe protege sua prole. Finalmente encontrara o elo entre a legião de pessoas que já fora e que chegaria a ser. Um Zelig desvendado. Entre todas as férias de julho, todas as tintas, todos os desromances, as meias sujas, as passagens de ônibus e as noites solitárias de sexta não havia mais que uma dimensão compressível e relativa. Tudo que lhe passara e poderia ainda passar parecia estar ao alcance das mãos.

Era como respirar após um longo e interminável mergulho. Sentia-se como uma metáfora velha e gasta, um chavão. E seus grilhões, conhecia-os muito bem. Evasão. Era disso que necessitava.

Os lábios repetiam "é isso!", e o som ecoava por cada milímetro cúbico, até chegar na cabeça. Essa, relutante, dizia "não".

"Não".

"Não".

Era "não", e voltou ao que era antes.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

The potential school shooter's hoedown

Há alguns dias em que o mundo merece uma hoedown bem ofensiva. Estilo hoje. Então lá vai.

I don't really care if you'll talk to me or not

But please don't give me stinky eyes

like I'm the new kid on the block

It doesn't really matter, I've got better things to do

Like lock up in my room and paint a moustache on a pic of you.

(tararan tan tantan tantan tararantan tantan tantan)


It doesn't really matter if you'll invite me to your house

I'd rather stay home this friday and watch a brand new Dr. House (lousy rime, I know)

talking about that same show, do you know what I would do?

If I had a cane like that one, I would split your heads in two!

(tararan tan tantan tantan tararantan tantan tantan)


I'm feeling kinda stupid and it's getting rather late

but before I say goodbye I have one more thing to state

It won't matter much to me if it all comes back to what it was

'Cause it's always been the same old shit , so don't bother'make no fuss!

(tararan tan tantan tantan TAN TAAAAN)







quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dezessete, dezessete

Hoje é o último dia.

Na maioria dos casos, nunca sabemos qual vai ser o último dia. O último abraço, a última cena, a última resposta, a última fatia e, depois, acabamos nos lamentando por isso- Se eu ao menos soubesse! - , sem perceber que o saber é o que estraga tudo.

Hoje, dezesseis de Fevereiro de dois mil e onze, é meu último dia. Amanhã acordarei com um novo propósito.Amanhã será o primeiro degrau de uma infinita escadaria descendente . Amanhã eu não vou acordar.

Aliás, nunca pude entender qual é a dos propósitos. Quando se tem um, tudo se mostra mais interessante e mais fácil do que seu objetivo, que parece enevoado e distante- assim como o dia de amanhã me parece desde tempos imemoriais. Quando não se tem um propósito, porém- ou melhor, quando não se reconhece que há um propósito-, aquilo que se quer não parece inalcançável; simplesmente não aparece. E isso, por incrível que pareça, faz tudo ficar mais sereno. Não há cobrança, expectativas ou metas. Você apenas existe.


Acredito que isso seja o que mais preciso agora: esquecer das metas, cobranças e ideais. Vou fingir que não é nada. Vou fingir que não passa de um sonho. Amanhã vai ser um dia como qualquer outro. Aliás, amanhã nem vai ser um dia. Amanhã vai ser outra coisa, um misto de Rimbaud com sorvete de limão e banho de lama. Muito me importa o que vai ser de amanhã, mas, como de praxe, vou fingir que nem ligo.

Foda-se.

Amanhã é meu aniversário, e quem liga?



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dessa vez foi só o teto

Justamente porque amo Janeiro não quero que demore menos que doze meses para chegar o próximo.

O cheiro da tinta fresca é só mais uma certeza de que tudo vai mudar, e que eu não posso nem imaginar o que está por vir. Parece que ele vai estar aqui a qualquer momento. Vai me ligar. Eu vou, como da primeira vez, dizer sim a tudo. Sim com os olhos, sim com as mãos, sim com a boca e um tímido não com a cabeça- mas incapaz de enviar qualquer impulso pela linha do telefone. Pouco importou. Hoje eu agradeço pelos sins que disse ou deixei de dizer. Você que me conhece sabe que não sou forte e que quase nunca sei o que quero. Salvo, é claro, quando é Janeiro. Em Janeiro, sim, eu sei o que quero. Rm Janeiro eu vou atrás. Hoje é segunda feira, três de Janeiro.

Segunda-feira. Três. Janeiro. Acho que tenho tudo o que preciso pra continuar- pelo menos por hoje.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O verbo desacreditar

Acho que uma das coisas mais tristes é perceber como a vida funciona.
De fato, não sabê-lo é, por vezes, frustrante de mais, mas saber também não é o oposto diametral disso.
Fomos feitos para criar e reconhecer padrões. Analisamos, calculamos e tabelamos, mentalmente, toda e qualquer coisa observada no dia-a-dia e , por fim, chegamos a conclusões, regras e fórmulas. Você pode dizer que oh, assim perde-se a graça da vida, que o importante é viver o momento. Não há como evitar, infelizmente. São essas induções nossas de todo dia que nos permitem fechar os olhos para um sono tranquilo à noite. São certezas que, até quando visivelmente incertas, servem de conforto e de segurança para o passo adiante.
O problema está quando você descobre padrões de mais. A vida fica manjada. Sim, sim tem-se ainda muito o que descobrir sobre ela. Mas é uma coisa horrível essa de sentir que não há mais esperança, não é? De saber, muito antes de começar, que aquilo não vai dar certo. De saber que não vão te ouvir se você tentar dizer, e de saber direitinho como vão reagir. De chegar na sexta-feira e ter um imagem nítida e colorida do seu sábado e domingo.

Podem discordar de mim e alegar que essa é uma visão pessimista. Pode até ser que seja, mas quem se importa? Eu sei, muito bem, que esse é só mais um texto que você está lendo na internet, e do qual vai se esquecer rapidinho. Então pra que gastar minhas energias com isso?

domingo, 7 de março de 2010

Todos eles escolhem um dia

Eu quero falar, mas não tenho certeza se é o que quero dizer.
Parece um filme passando, de novo e de novo, só queria dizer que te amo.
Porque eu te amo, fingi que não ouvi, só queria dizer que te amo.
E de novo só queria dizer que te amo, nunca disse isso de verdade, só queria dizer que te amo.
Só queria dizer que te amo,

só queria dizer que te amo,
só queria dizer que te amo,
só queria dizer que te amo,
só queria dizer que te amo,
só queria dizer que te amo
Mas é melhor você esquecer.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

No hall da filosofia

O motivo da miséria humana é a própria condição humana. Não reconhecemos que , acima (ou abaixo?) de tudo, somos simples mortais. Somos imperfeitos, resultado de um frágil equilíbrio de reações químicas, representantes de uma mínima parcela da matéria do universo e fadados a errar em uma razão de 1:2 das nossas tentativas. Resumindo, somos a poeirinha da poeirinha do universo. E ainda assim nos sentimos absolutos e donos da razão.
O tempo todo estamos controlando e modificando, desde nossa aparência até as situações às quais estamos submetidos . Da fruta que você come até o amor que você sente, tudo, tudo mesmo foi planejado, mas você não se dá conta disso. O ser humano cria e arranja de tal forma que tudo parece acidental, e quando não modifica a vida, ele se permite ser afetado por ela.
É um grande avanço, se comparada a condição dos humanóides nômades de tempos atrás. Entretanto, perdeu-se a conexão com o interior. Macrobiótica, ioga, religião, nada disso se relaciona ao veradeiro interior. É algo muito mais profundo.
O interior é o alicerce de toda a realidade (ou projeção de realidade?) que nos cerca . Todos os resultados, as relações, os fenômenos, as capacidades, tudo se dá em decorrência do interior, do núcleo, parte intangível e invisível do ser, e que, por apresentar tais características, é desconhecido e muitas vezes negligenciado.
Não obstante, as necessidades "nucleares" nunca são ignoradas, são apenas confundidas com as externas- as chamadas "vontades" ou "aspirações". Quando atendidas em detrimento das nucleares, essas necessidades externas causam a impressão de satisfação por um período de tempo, até que ocorre o desabamento. É aí que vem a desilusão, a dúvida, a tristeza, a miséria humana. Mas por quê?
É uma situação análoga à construção de um edifício: primeiramente, são feitos os alicerces, a base de tudo, onde se fundamentarão as posteriores estruturas visíveis no exterior. Quando essa base é malfeita ou carece de estrutura consistente, a construção pode parecer estável tanto estrutural quanto esteticamente. Entretanto, com o passar do tempo a estrutura pesa e acaba se desestabilizando, podendo ocorrer desde pequenas fraturas até a destruição total da construção.

Portanto, por mais que sintamos necessidade de determinadas situações, relações interpessoais, sentimentos, e daí em diante, o que realmente precisa ser feito é a fundamentação, o preenchimento interior. Sem o amor próprio vindo de dentro- e não da necessidade que se tem de amar a si mesmo porque os outros já descobriram sua importância- não há o amor vindo de fora. Sem a autoconfiança não há como ser confiado. Sem a felicidade interior não há como sentir-se realmente feliz. Tudo tem de vir de dentro para fora, e não o contrário. Temos a tendência a pensar que o real é o palpável, o visível. O que não se leva em conta é a transitoriedade das coisas e o constante engano causado pela capacidade sensível do corpo.

Sendo assim, a chave para a plenitude que o homem vem procurando desde o início dos tempos está no contato com o interior, e este está muito distante do que podemos alcançar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

sensação de lastro

Não é que não tenha sido do jeito que imaginei. Já tinha excluido e deletado todas as expectativas e sonhos algum tempo atrás, logo fui com os bolsos vazios. Não queria ir, e até agora penso seriamente em enterrar minha cabeça no buraco mais próximo. Só que eu fui.
Minha ilusão foi pensar que um outro plano implicaria na criação de uma nova situação, sem perceber que estaria mudando só o cenário e não a situação.
Silêncio. Desconforto.Dúvida. Riso baixo. Não sei dizer se foi legal ou não, mas não me sinto nada bem. É um lagarto preto, áspero e com garras pontiagudas grudado no meu pescoço, entre o umbigo e o queixo.
O pior é que não lembro de muita coisa, tudo tão rápido e confuso que não saberia contar se alguém me perguntasse- mas mesmo assim isso tudo ficou na cabeça o dia todo, martelando, assoprando,flutuando, agarrado em mim, um lagarto preto enorme. Pior ainda é que já senti isso antes, e não gosto de saber que pode estar acontecendo a mesma coisa.

Tenho dificuldade em fazer contato visual, e leva tempo até que eu possa olhar nos olhos de outra pessoa por muito tempo sem me importar com isso, mas nesse caso consegui olhar por algum tempo, pelo menos até achar que já estava ficando esquisito. Geralmente acontece o mesmo com o contato físico; não é que não goste que me toquem, só não sei o que fazer na hora. Por isso quase nunca toco nas pessoas sem me importar com isso, mas nesse caso foi necessário. Parecia que eu de repente precisava tocar e...Ah, desisto de tentar descrever. Não me lembro de muita coisa, não me sinto nada bem e preciso dormir.
Se amanhã fosse segunda feira , teria certeza que acordaria alegre e energética, como se nada tivesse acontecido. Mas ontem foi segunda, amanhã é quarta, depois é quinta e depois sexta. Não quero acordar na quarta, não quero acordar na quinta ou na sexta. Hoje parece domingo, seja pelo tempo maldito ou pelo mote de minhas preocupações . Se hoje parece domingo, amanhã vai parcer segunda. Não quero acordar na quarta, quero acordar na segunda.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Então é isso

Podia ser tudo tão mais fácil, a gente devia perceber as coisas olhando nos olhos ou, no meu caso, ouvindo a voz dos outros. Não sei pra quê tanta complicação, quem quer que tenha inventado a vida foi infeliz nesses detalhes. Sou a favor da vida simples, não por conta de toda a ideologia por trás. Quero simplicidade porque toda essa complicação cansa a minha beleza.

domingo, 30 de agosto de 2009

Imobiliária Hollywood

Quero viver num filme. Sempre quis, mas nunca soube. Agora sei.
Ia ser no sul dos Estados Unidos, em uma cidadezinha esquecida e empoeirada. Eu teria uma avó morando perto, um quintal grande e um esconderijo. Um mundo todo criado pra mim, muito aconchegante e com trilha sonora.
Minha personalidade estaria no script, meu cabelo sempre estaria legal e daria pra ver onde meu romance ia dar. Até meus problemas seriam perfeitos.
Seria tudo definido, e não muito cult francês. Não quero cinza, silêncio, palidez.
Também podia ser na floresta do Cão e a Raposa, com todos os bichos bonitos e a água que não parece ser molhada. Podia ser na casa de campo do Desejo & Reparação, aqueles jardins bonitos e papel de parede.

Mas o pior é que não pode. Vou ficando aqui em Arujá com meus fios rebeldes, minha crise existencial e minhas dúvidas que plantão nenhum pode sanar. Quem sabe isso um dia vire filme e alguém queira morar aqui ?

Vir-a-ser

Algum dia vou ligar. Algum dia vou ter uma ideia. Algum dia vou descobrir o que tem atrás da cortina. Algum dia vou fazer direito. Algum dia vou encontrar. Vou sim.
30/08/09

sábado, 29 de agosto de 2009

É provável que não

De duas uma: ou eu ia falhar ou não ia. Tudo bem que as chances de não falhar eram de menos de 0,2 % , mas eram chances, oras. Eu não calculei isso na hora, tá aí mais uma prova de que meu cérebro derreteu.
O pior não foi ter acertado 0,15% da prova , ter perdido a minha preciosa tarde depois da aula ou arrancar mais um pedacinho da minha autoestima. O pior foi ver o quanto eu odeio tudo isso que, de verdade, não é nada.
Odeio essa reputação. Odeio correr e não sair do lugar. Odeio ver que , por mais que eu faça de tudo pra ser " a melhor" , tudo continua a mesma caca de sempre. E é só eu atrair um olhar meio torto, uma palavrinha diferente pra me achar um lixo denovo.
Pouca gente, 20 questões, coisas simples, calmaria. Eu podia . Podia mas não pude. Desperdício total.
Tem gente que sai do zero e vai pro 50, mas quase ninguém dá crédito porque 50 é a média. Ninguém analisa o histórico e dá tapinhas nas costas.
Mas tem gente que começa no 60 e , naturalmente, vai pro 80 ou pro 90 . Grande bosta, mas todo mundo venera. "Oh, veja só, 90!" e daqui a pouco é uma turba extasiada gritando "GÊNIO GÊNIO GÊNIO!". O que ninguém vê é que de 60 pra 90 são só 30 , e se tivesse começado do zero seria um retardado. Eles gritam o nome de um, depois o de outro e assim vão consumindo tudo como aqueles gafanhotos das sete pragas do Egito.
Odeio lidar com a ignorância dos outros, e é ignorância da minha parte pensar assim. Mas eu sou produto da sociedade , assim com eles, e a sociedade, por sua vez, é nosso produto. Um câncer.

Queria muito ter um escudo, uma burka e um livro do destino. Enquanto não arranjo tudo,a solução é dormir e ver se amanhã o Sol brilha mais forte.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ego canibal

Quem quer que disse que a gente nunca sabe o que vai acontecer estava muito errado.

A gente sabe sim, sabe desde o começo , só que não se escuta.Não é que as situações serão sempre as mesmas, muito pelo contrário, a vida é bem criativa; o problema é que , por mais individuais que sejamos, ainda somos seres humanos fisiologicamente iguais. Temos os mesmos medos, anseios, carências, necessidades. O ego está sempre faminto e nós precisamos alimentá-lo com outras pessoas.

E é errado dizer que não podemos escolher o que vai acontecer. Tudo o que você quiser vai conseguir, tudo o que você conseguiu até agora foi o que você quis algum dia. O cosmo leva tudo ao pé da letra, se disser limões ele trará limões, e nada mais. Antes de jogar suas pedras, reconsidere o que você realmente pediu pra vida e compare com o que ela te deu. Se não bater, é porque você não pediu o que queria.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Partilha

Parte de mim quer dizer que te ama

enquanto parte de mim não acredita que isso possa ser.

Parte de mim mal te conhece

enquanto parte de mim anda junto de você.

Parte de mim te idealizou tempos atrás

enquanto parte de mim não sabe como foi acontecer.

Parte de mim já cansou desse plano

enquanto parte de mim morre pra ler uma palavra sua.

Parte de mim te quer de volta

Enquanto parte de mim não quer.



Mas então volta!

Porque parte de mim uma coisa sem volta

e logo volta uma dor sem fim.

Então volta, volta pra mim...

Porque se é pra ser assim,

No fim não vai sobrar parte alguma de mim

e você...

é a melhor parte de mim.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Opa!

Dá uma dor horrível quando vejo alguém com algo que eu quero. Não digo um tênis, um celular ou qualquer outra coisa; digo situações. Por exemplo, se tenho saudades da minha avó e vejo alguém com uma senhora sentado no ponto de ônibus dá uma dor horrível. Mas foi só um exemplo, gaças a qualquer coisa minha avó está sã e salva no interior de São Paulo; é que eu não posso mais falar as coisas explicitamente aqui. Pequei ao colocar links em tudo quanto era lugar e trocar umas visualizações a mais pela velha e boa privacidade... eu poderia começar um blog novo, mas sei que ia abandonar esse às moscas . Mas eu poderia... Hm... Já volto.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Das carapaças de sílica

Me irrita demais quando percebo que alguém quer me proteger. Aquele olhar de " eu sei de uma coisa terrível, mas não posso te contar", aquele sorriso desbotado com os olhos fechados, aquele silêncio, a neutralidade. É claro que não quero que me machuquem , mas perceber que algo está acontecendo e não ter a mínima ideia do que é machuca muito mais.

sábado, 13 de junho de 2009

Dos romances:

A gente é muito burro mesmo. Faz a mesma coisa 5643 mil vezes e ainda assim não percebe que sempre dá errado.

Venham aqui tentar me catequizar e dizer que "deve-se viver intensamente" , " quando for o cara certo vai ser diferente" ou " tudo acaba bem , se não está bem é porque não acabou" . Minha dica é : faça um MSN e coloque essas frases no seu nick.

Tenha dó, todos com um mínimo de cérebro sabem que vai acabar tudo do mesmo jeito. É ,confesso que algumas vezes muda: em vez de uma caixa de chocolate, você fica o dia todo sem comer.

E o que mais me impressiona é a capacidade das pessoas de criar drama . Qualquer coisinha já é motivo de escarcéu. Por isso, eu culpo os filmes de Hollywood.

Sempre que a mocinha está em apuros, deprimida ou sem rumo na vida, PLIM! Aparece um mocinho todo bonitinho, cheiroso e engraçado que vem revolucionar a vida da mocinha! Eles vão de vento em popa até que sempre surge um problema, que pode ser:



A. Os pais da pobre mocinha não concordam, acham um absurdo a união dos dois e fazem de tudo para separá-los, de preferência arranjando outro pretendente ou armando uma confusão de disse-que-disse que faz um dos dois achar que o outro falou alguma outra coisa (o que geralmente cabe à mãe).



B. Alguém tem inveja da felicidade purpurinada dos pombinhos e arquiteta um plano maléfico para separá-los, HO-HO-HO. Pode ser traição, pseudo-traição, cartas desviadas, cartas adulteradas, vale tudo, desde que haja sempre uma musiquinha de fossa ao fundo.



C. Adoro essa, é a morte ! (queria muito que fosse esse o meu caso!)

Morre a moça , morre o cara , morrem os dois ou descobrem que tem uma doença terminal, sofrem um acidente... há uma ampla gama de desgraças que podem se incluir no roteiro. Esse é o melhor jeito de se fazer o telespectador simpatizar, lembrar de seu cãozinho que morreu atropelado, chorar que nem um idiota e ainda sair dizendo que " o filme é lindo".

domingo, 10 de maio de 2009

Queria saber escrever

Não sei mais escrever.
Não sei quando foi que parei, não sei onde deixei meu rico arsenal de metáforas. Não sei se algum dia eu soube escrever.
Sempre condenei clichês e pseudo-escritores e suas frases inúteis. Colocam tudo no plural, usam palavras "difíceis" que nem caneta colorida no caderno da 5ª série. "Impressões e conclusões vagas de pessoas oprimidas". Odeio, odeio, odeio. E o engraçado é que os blogs que contém frases do tipo são minados de tantos comentários. Bom, best-sellers são best sellers.
Agora nem eu sei mais escrever. Já não tinha um blog badalado quando sabia, agora que não sei vou falir. Vou começar a ter vistas negativas. Um belo dia meu endereço vai mudar para -cachecholdecobra.blogspot.com . Nem piadas eu sei fazer mais... bom, na verdade nunca soube.
Tenho uma ampla gama de rascunhos salvos, textos que se você lesse teria de passar por um longo processo de desintoxicação visual até que minha chatice verbal se desnaturasse e pudesse finalmente ser coagulada em qualquer lugar. Se o governo soubesse da força que têm minhas palavras desorganizadas e pretensiosas, logo começaria uma nova guerra no Oriente Médio, mas não no Oriente Médio.

Eu acho que falta vontade. Falta tema. Falta computador. Falta sinceridade, tenho vontade, temas e computador. Acho que perdi o respeito pela escrita durante o processo de libertação dos paradigmas. Desde que começei a pensar que "pode tudo", parei completamente. Tenho uma ideia boa e acabo transformando-a em uma porcaria. Queria escrever uma frase decente, um parágrafo do qual eu pudesse me orgulhar, escrever nas paredes , no antebraço, em pedacinhos de papel. Queria escrever frases menos curtas, economizar nos pontos finais, bombardear folhas de caderno, blogs e ouvidos com minha torcida organizada de palavras. Queria que alguém lesse e gostasse. Queria o mago Merlin como meu redator. Queria parar de querer e terminar logo essa coisa.